PRIMÓRDIOS

O início de tudo foi com a oficina literária Poiesis, ministrada por Waldo Motta (na época, Valdo Motta) em 1995, na FAFI (Vitória/ES). Ao final da oficina, formou-se um grupo com alguns dos participantes, o Grupo Poiesis, que manteve suas atividades (criação literária, discussão de textos e recitais de poesia) até 1997. Nesse mesmo ano, a Prefeitura Municipal de Vitória publicou a coletânea Poiesis, da qual participei com o poema “Ponto de Equilíbrio”. Entre 1995 e 1999, tive alguns poemas publicados em revistas literárias, zines e antologias.
Após o Poiesis, três dos membros (eu, Renato Fraga e Fábia Salles) juntaram-se a outros poetas capixabas (Pablo Cruces e Douglas Salomão) para a realização de saraus e recitais de poesia em diversos espaços de Vitória. Desse período, se destacam os recitais produzidos por Pablo Cruces e Letícia Braga na Oficina de Artes de Vitória (1999), as intervenções que fizemos nos palcos do Festival Dia D (2002, envolvendo música e cultura capixaba), o recital de lançamento do livro Desterro, de Fábia Salles (2002) e o projeto Tocando Palavra, realizado semanalmente no Restaurante Ilha do Guto, no centro de Vitória, durante o segundo semestre de 2002.

Também é desse período o encontro Poéugenesia, produzido por mim e pelo Pablo Cruces, em 2000, no Teatro da Ufes, envolvendo workshops literários, mesa-redonda, exposição de poesia visual na Galeria de Arte e Pesquisa da Ufes (com curadoria do Orlando Lopes) e um recital de poesia e música no Teatro Universitário, envolvendo os poetas Viviane Mosé, Renato Fraga, Douglas Salomão, Pablo Cruces, Fábia Salles, Erly Vieira Jr, Alex Pandini, Alex Bayer, Julio Tigre, além de um espetáculo de dança do Paulo Fernandes e do concerto de violões do (então) duo Fábrica.

Encerra essa fase a produção do Ruído Poético, recital realizado em janeiro de 2003. O Ruído Poético foi uma das ações do Projeto Ocupação Ruído, exposição coletiva realizada no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES), entre dezembro de 2002 e março de 2003, com curadoria de Neusa Mendes e do então diretor do MAES, Fabrício Coradello. A proposta do Ruído era a de pensar o Museu, instalado num antigo casarão no centro de Vitória, como um espaço de reflexão da experiência urbana e de suas poéticas. Entre seus desdobramentos incluíram-se, além da exposição de artes visuais e desse recital de poesia, uma noite dedicada ao grafite e hip hop, além do Ruído Corporal, que envolvia música e performances. Eu cuidei da produção do Ruído Poético, no qual seis escritores (Adiel Silva Santos, Douglas Salomão, Erly Vieira Jr, Fábia Salles, Pablo Cruces e Renato Fraga) recitavam seus textos em meio às obras expostas, com o violino de Ludvig Schneider costurando as intervenções.
Um poema meu está no catálogo do Projeto Ocupação Ruído:
feito agulha
que costura
perfurando
repetidamente,
este corpo sincopado
transborda os dias
pela boca
inconclusa.
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PRIMEIRAS PUBLICAÇÕES

Em 1999, lancei meu primeiro livro, Contraponto, Reta, Plano (Poemas), pela Ed. Flor&Cultura, com o incentivo da Lei Rubem Braga. Dos 38 poemas que compõem o livro, quatro estão numa página própria neste blog. O livro encontra-se praticamente esgotado, masalguns exemplares costumam aparecer em sebos por aí, como atesta este link do site Estante Virtual.
A publicação desse livro rendeu resenhas favoráveis, e uma menção no Mapa da Literatura Brasileira no Espírito Santo, compilado por Reinaldo Santos Neves em agosto de 2000. Tal menção, diga-se de passagem, aproximou-me do trabalho e da pessoa de Reinaldo.

Em 2002, fui convidado a participar da antologia Escritos de Vitória (Volume 22: Cine Vídeo). O conto que enviei foi “A margem vazia”, narrado em primeira pessoa, que pode ser lido nessa página.
Em 2004, foi a vez de um outro conto ser publicado no site Paralelos: “Sobre memória”.
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FAKETOWN

Em junho de 2004, realizei a performance Faketown (detalhada na página à qual este link redireciona), que consistia na instauração de um universo ficcional (presente nas crônicas do blog homônimo, que eu mantinha na época) em meio à realidade concreta, durante uma única noite.
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COORDENAÇÃO DE HUMANIDADES

Entre março de 2003 e agosto de 2005, ocupei o cargo de Coordenador de Humanidades da Secretaria de Estado de Cultura (Secult-ES). Nessa função, eu coordenava projetos nas áreas de literatura, incluindo aí oficinas literárias, publicações e reedições de livros, recitais de poesia, workshops, seminários, ciclos de debates com escritores, críticos e pesquisadores, entre outras atividades. A primeira ação foi um amplo Mapeamento Literário, que durou quase dois anos e buscou cadastrar os escritores capixabas para que pudéssemos inclui-los em futuras ações. Clicando na imagem acima, você visualiza com detalhes o cartaz que eu e Gabriel Menotti criamos para essa ação.

O destaque da foto acima é a oficina literária ministrada no final de 2004 pela escritora Neusa Jordem, no município de Iúna, na região do Caparaó, dentro do projeto Oficina da Palavra, que promoveu a iniciação literária de diversos estudantes nos municípios do Espírito Santo.

Uma das vertentes em que a Coordenação mais atuou no período foi a promoção de oficinas literárias entre detentos e com os menores infratores internos no Iases (Ex-Febem, ex-Iesbem, ex-Icaes). Pablo Cruces chegou a ministrar uma oficina com os detentos do IRS, que já no primeiro dia rendeu um poema coletivo, elaborado pelos participantes, e que terminava com o verso: “Liberdade – pássaro a conhecer”. Já com os adolescentes do Iases (menores em conflito temporário com a lei), foram três oficinas interligadas: a primeira, de papel artesanal, ministrada por Yvana Belchior, cujas fotos podem ser vistas neste link; a segunda, uma oficina literária ministrada por Renato Fraga, ilustrada pela foto acima (um painel escrito e pintado por um aluno, com um texto produzido durante a oficina); e, finalmente, uma oficina de vídeo, ministrada por Nardo Oliveira, que resultou num pequeno documentário sobre o trabalho dos menores infratores na padaria do próprio Iases.

Outro projeto marcante desse período foi o Play, realizado no Museu de Arte do Espírito Santo entre outubro e dezembro de 2003. Uma produção conjunta entre a coordenação que eu exercia (Humanidades), a Coordenação de Música (na época com Jana Assis à frente, idealizadora do projeto) e a Coordenação de Artes Visuais ( Fabrício Coradello), Play era um contraponto à exposição Pausa, trazendo a poesia e a música eletrônica para o espaço do Museu. Na primeira edição, em outubro, trouxemos um recital poético com intervenção de música eletroacústica, envolvendo o poeta Douglas Salomão e o músico Cons (Constantino Buteri), além de um Live P.A. do Zémaria Redux (Xico Viola vs. Zee-la), que incluiu até uma música com sampler do cantor capixaba Aprígio Lyrio (falecido em 1983).

A segunda edição contou com a apresentação do brasiliense Nêgo Moçambique e sua House Music, em meio à instalação The snow white – The queen is not dead, de Julio Schmidt, no térreo do MAES. Acompanhava uma projeção (no telão e nas roupas brancas da platéia)de live images realizada pelos VJs da Mirabólica, contendo videoartes elaboradas a partir de poemas de escritores capixabas.

O projeto teve ainda uma terceira edição, ao ar livre, realizada em dezembro de 2003, na qual os cariocas do Apavoramento Sound System tocaram num palco armado em plena Rua do Rosário, no centro da cidade. A poesia ficou presente na improvisação de versos do freestyle do rapper J3 e do pessoal do projeto Grooves.
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COLUNA DE CRÍTICA LITERÁRIA
Entre outubro de 2005 e fevereiro de 2007, mantive uma coluna semanal no site Século Diário. Foram exatamente 58 textos, entre ocasionais resenhas de lançamentos e relançamentos literários (nacionais ou locais), entrevistas/debates com escritores, visões panorâmicas sobre a obra de determinados escritores, crônicas sobre o papel do leitor neste início de século, pequenos apontamentos sobre a vida literária capixaba, resgates de escritores locais de outras épocas, ou ainda apaixonadas defesas de livros que foram fundamentais para a minha formação de leitor/escritor. O arquivo desse material todo está no blog EstarSendo.TerSido. (cujo nome é inspirado num título de livro de Hilda Hilst), mais fácil de consultar que os labirínticos arquivos do Século Diário.
Alguns textos eu produzi para o site Overmundo, a partir de idéias que surgiram nos textos da coluna. Um comentário meu sobre o livro Kitty aos 22: Divertimento, de Reinaldo Santos Neves chegou a ser apresentado num seminário sobre literatura capixaba. Sobre a experiência de colunista e colaborador do Overmundo, eu comento detalhadamente neste link.
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PRODUÇÃO LITERÁRIA RECENTE

O livro Instantâneo (2005) foi o resultado do Mapeamento Literário que realizamos quando eu estava no cargo de Coordenador de Humanidades da Secult-ES. Terminado o levantamento, procurei o Reinaldo Santos Neves e juntos organizamos uma coletânea com os nomes mais destacados dentre os escritores capixabas da geração 90 e 00 (que haviam despontado no cenário local ou nacional até meados de 2004) . Foram 38 participantes, com textos de poesia e prosa. Eu também participei com um conto, “Quase dezembro” (na verdade, uma versão revista e ampliada de “Sobre memória”.
Foi meu último projeto á frente da Coordenação e o único que posso considerar como autoral dentre as ações realizadas no cargo. Um release sobre o livro encontra-se aqui. O site Século Diário publicou o conteúdo do livro na época. Para acessá-lo, clique aqui. Para ler o prefácio escrito por Reinaldo Santos Neves, clique neste link.

Em junho de 2006, sob pseudônimo, publiquei um pequeno texto em prosa no site Escritoras Suicidas (que só permite colaborações de escritoras, sejam elas mulheres “na vida real” ou homens sob pseudônimos femininos), que lança edições temáticas mensais. Atendendo a um convite de Mara Coradello, na época participante da editoria do site, a colaboração assinada por Deise Buchanan saiu na edição 8, sob o tema “Homem”:
I
Rio correndo lentamente. Gargalho, como se farfalhasse feito folhas caídas pelas margens.
Ele mente sempre que se levanta e eu bem sei disso. ainda assim, corremos lado a lado: eu ruidosa; ele silencioso, amarelírico. E eu que nunca minto, evito olhar em seus olhos, para não cegar.
II
Depois da chuva, quem se habilita a percorrer suas próprias planícies de algodão?

-sse, meu trabalho mais recente, é um livro que reúne 14 contos em primeira pessoa (e um poema), produzidos entre 2002 e 2006. Selecionado pelo II Edital para Publicação de Obras Literárias Inéditas da Secult-ES (2006), o livro tem previsão de lançamento para abril de 2008, e seu conteúdo está totalmente licenciado em Creative Commons, sendo permitida sua cópia irrestrita (física ou digital), desde que creditada a autoria e que não seja alterado o texto original. A ilustração de capa é de David Caetano. Na página anexa, incluí quatro dos contos que compõem o livro.
Pra finalizar, aí vai o poema sem título que completa -sse:
lembranças recusam aviamentos:
deslimitadas, deslizam líquidas
pelo rejunte da tarde
por vezes apressadas,
produzem uma semana de intermináveis quartas-feiras,
nas quais evito desenhar com os dedos enfastiados rodamoinhos
ruidosas malcheirosas inconsentidas
movediças
sempre outras
excedentes, portanto sestrosas
aviar uma lembrança é recusar-lhe o garbo da própria rasura,
é impedir a concha de furtar a voz do mar