
Quatro poemas extraídos do livro Contraponto, Reta, Plano (Poemas), de Erly Vieira Jr (Ed. Flor&Cultura, 1999).
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LIQUIDAÇÃO
Esta legenda que corre a tela , por exemplo,
embarga meus olhos com poucas palavras,
cala-me o sono um tanto ridente.
Este sestro de beata nas palavras me aquece:
como se não te visse atrás do espelho,
trilho apressadas estradas de terra.
Nem é preciso dar nome à força
desmensurada da água em visita ao rochedo:
o melhor dos dias, ainda,
é conter o tempo num ranger de dentes.
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MISSA DE RETORNO À MONTANHA
Nem todo o passado é suave
na eternidade de uma pedra
ou de um riso perdido.
O sentir pode ser rarefeito
mas o efeito do silêncio
(absurda recompensa!)
não teme ser azul, enfim,
como o céu que corrige tantos ais de mim.
Não peço para aceitares o canto da parede
como pejo para que não me imites:
De transparente , basta-me o limite
entre uma margem e outra
dos dias em que rio. E repito:
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CLAVE DE SOMBRA
Encerradas
todas as águas
numa gota:
recorto camadas de sono
entre as pedras.
(Diversas ondas recobrem meus pés.)
Nem letras , nem páginas nos livros,
além da certeza das palavras.
(Nem nas esquinas se repetem
os olhares ébrios dos passantes).
Agora, reescrevo vestígios:
memórias ligeiras,
na íris do sol.
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DESCOMPROMISSADAMENTE PLANO
Embora me dissesse muito
sobre a topografia inexata dos lábios,
a ausência de nomes
( desembarcados em brisas)
talvez não atendesse ao rumor de rogai por nós
nos olhares passantes
em tantas e táteis esquinas.
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