
Macabéia foi o meu primeiro trabalho como roteirista e diretor. Vencedor do I Concurso de Roteiros (V Vitória Cine Vìdeo, 1998), o filme (que foi co-dirigido por Lizandro Nunes e Virgínia Jorge) ficou pronto dois anos depois e teve uma carreira muito bem sucedida no circuito nacional de festivais, faturando seis prêmios, entre eles Melhor Curta, Melhor Roteiro e Melhor Atriz na categoria 16 mm do Festival de Gramado (2001). Foi não só a estréia cinematográfica dos três diretores, mas de praticamente toda uma geração de realizadores capixabas, participantes da equipe técnica, inclusive da atriz Janine Corrêa, cuja presença luminosa e carismática é a grande força motriz do sucesso do filme.
Macabéia foi realizado com um orçamento bem reduzido, oriundo da premiação do concurso de roteiros, da Prefeitura de Vitória e da Lei Rubem Braga. A equipe inteira trabalhou de graça, e sou eternamente grato a todo mundo por isso. Outra coisa bastante curiosa é que, apesar de possuir três diretores, o filme possui uma proposta de direção bastante homogênea: era como se, neste trabalho, pensássemos como um só, misturando alguns aspectos do estilo de cada um ( principalmente se formos acompanhar a carreira posterior dos diretores, em que é bastante visível a diversidade estilística entre nós).

Jovem e suburbana, Marluce recebe de uma amiga uma fitinha do Senhor do Bonfim. Ela amarra a fitinha no pulso e faz três pedidos, a serem realizados quando a mesma arrebentar: casar com Olímpio, mudar de vida através de um emprego melhor e perder a “falta de ar” que sente. Suas perspectivas são poucas e ela entra no dilema entre acelerar ou não a ruptura da fitinha, na esperança de seus desejos se realizarem o mais rápido possível.
Macabéia é um diálogo irônico com “A Hora da Estrela”, romance de Clarice Lispector: Marluce, pensa, age, sente e sonha como uma Macabéa (personagem do livro) do final dos anos 90.
Abordando o colorido universo do kitsch e transpondo a personagem para os dias de hoje, com os hábitos e costumes suburbanos dos anos 90 (como encher garrafas de água e amarrar ao relógio-padrão de luz para diminuir a conta, crendice que se tornou lendária nos últimos anos em Vitória), o filme conta com bastante humor a história de Marluce e seus sonhos depositados numa fitinha do Senhor do Bonfim. Não se trata aqui de uma adaptação de A Hora da Estrela, mas de uma apropriação do conceito de “Macabéa”, personagem criada por Clarice Lispector, numa leve crítica, lúdica, irônica e bastante humanista da macabéia existente em cada um de nós. O mote do filme é a pergunta: “Como seria a vida de uma Macabéa nos dias de hoje?”. Daí a opção por uma ambientação bem-humorada, flertando com a linguagem das novelas mexicanas e da literatura barata “julia/sabrina/bianca”, embora procurando recusar os estereótipos fáceis da suburbanice.
Assista no Porta Curtas.
Um ensaio fotográfico realizado durante as filmagens pelo diretor de arte do curta, Fabrício Coradello, pode ser visto neste link, no site Taru.

MACABÉIA
(ficção, 16 mm, 19 min)
Vitória, 2000.
Sinopse: Imagine a Macabéa. Aquela mesma do livro da Clarice Lispector. Sem graça, parada na vida… Como seria a vida dela nos dias de hoje? Esta é a estória de Marluce, que pensa, age, sente e sonha como uma macabéia do final dos anos 90.
Elenco: Janine Corrêa, Gecimar Lima, Marlene Cosate, Cristiano Amigo Vidal
Roteiro: Erly Vieira Jr
Direção: Erly Vieira Jr, Lizandro Nunes e Virgínia Jorge
Produção: Ladart Cinema, Galpão Produções e CTAv/Funarte.
Produção executiva: Ivana Esteves e Ursula Dart
Direção de fotografia: Fernando Miceli
Trilha sonora original: Armando Lobo Neto
Direção de arte : Fabrício Coradello
Montagem : Armando Hilel / Karen Barros
Som direto : L. Carmo
Edição de som: Fernando Ariani
Prêmios:
Melhor curta-metragem 16mm, melhor roteiro e melhor atriz, Gramado, 2001.
Menção Honrosa, 34º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, 2001.
Prêmio de Contribuição Artística, 6º Festival de Cinema Universitário, UFF, 2001.
Prêmio Especial do Júri, VII Vitória Cine Vídeo, 2000.
Roteiro vencedor do I Concurso de Roteiros / Vitória Cine Vídeo, 1998.
Seleção oficial dos festivais de cinema realizados em:
2000 – Vitória
2001 – Recife, São Luis, UFF, Gramado, Goiânia, Brasília, Curta-Cinema (RJ), 12º Festival Internacional de Curta-metragens de São Paulo e 9ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo (RS)
2002 – Tiradentes, Aracaju, Mostra Coisa de Cinema (Salvador) e Taguatinga.
2003 – Festival Internacional de Cinema de Drama, Grécia
Exibido nos programas Curta Brasil (TVE) e Zoom (TV Cultura), em rede nacional, em 2001.
Lançado em VHS pela Funarte, dentro do volume “Curtas Capixabas” (série O Brasil em curtas, vol. 19)
2 respostas Até agora ↓
Minha produção audiovisual « disconnect the dots // Sexta-Feira, Julho 25, 2008 às 1:48 pm |
[...] macabéia [...]
Erly Vieira Jr. « Bandejão 104.7 // Segunda-feira, Maio 11, 2009 às 11:40 pm |
[...] realizou os curta-metragens Macabéia (16 mm, 2000, co-dirigido por Virgínia Jorge e Lizandro Nunes), Pour Elise (35 mm, [...]