
Pour Elise foi o segundo filme, também realizado com recursos da Lei Rubem Braga, rodado em 2003 e lançado em 2004. Teve uma carreira bem mais modesta que o seu antecessor, mas é o primeiro trabalho em que eu exploro a idéia de um meta-cinema.
O filme conta a história de Ana (Glecy Coutinho), uma senhora que reside num lar para idosos e vive das recordações de seu suposto passado glamouroso de cantora. Ana recebe a visita da sobrinha Elisa (Ana Cristina Murta), única parenta que ainda a visita, e as duas decidem empreender uma viagem à cidadezinha em que Ana viveu sua juventude e que não visita há meio século. Nesse trajeto, a jovem Elisa descobre a riqueza do universo de Ana, um universo em que o tempo se curva à memória dos objetos que nortearam uma vida inteira. Ana, com suas brevidades, caixas de música e suas memórias de um amor ao qual precisou renunciar para sair de sua cidade e seguir uma carreira promissora (ainda que terminasse seus dias de maneira solitária), faz desse universo a herança que destina à jovem Elisa.
Ou não. Afinal, o roteiro é construído a partir de uma narrativa que vai se tornando fragmentada em seu decorrer, alternando diversos focos narrativos, de modo a, em diversos momentos, pôr em questão o que se passa na tela. Personagens tornam-se co-roteiristas, reescrevendo a estorinha da amizade entre tia e sobrinha, fazendo confundir o tempo todo os domínios entre memória e fantasia (que, convenhamos, já são inseparáveis por definição).
Nesse retrato humanista do universo de Ana dos Prazeres, alternam-se momentos levemente humorísticos às cenas de poesia, buscando manter o tom de crônica cotidiana que permeia meu trabalho audiovisual.

O elenco é totalmente composto por artistas capixabas, mesclando estreantes e profissionais (inclusive verdadeiras lendas vivas do teatro capixaba, como Flodoaldo Viana, cuja companhia teatral teve um importante papel na cena teatral do estado nas décadas de 40, 50 e 60). Coincidentemente, as protagonistas, além de atrizes, também são diretoras de cinema: Ana Cristina Murta realizou o curta Escolhas (2003) e Glecy dirigiu a ficção Eu Sou Buck Jones (1997).
O filme foi rodado no formato super-16 e ampliado em 35 mm, contando ainda com cenas feitas com o recurso de table-top e com algumas imagens captadas em vídeo digital, que passaram pelo processo de transfer digital.
Confira no Porta Curtas.

POUR ELISE
(Ficção, 35 mm, 15 min)
Vitória, 2004.
Sinopse: Esta é a história de Ana, que vive num asilo para idosos, e de sua jovem sobrinha Elisa. Ou não.
Elenco: Glecy Coutinho, Ana Cristina Murta, Cely Miguel, Marlene Cosate, Flodoaldo Viana, Ednardo Pinheiro, Rafael Balduci, Gimu, Melissa Guizzardi, Margareth Galvão, Janine Corrêa e os jovens atores do Grupo Manga.
Direção e roteiro: Erly Vieira Jr
Produção: Ursula Dart (Ladart Cinema)
Produção executiva: Ursula Dart e Poly Cogo
Direção de produção (Set): Alana Ribeiro
Direção de fotografia: Roberto Burura
Direção de arte: Fabrício Coradello e Maruzza Valdetaro
Figurinos: Marcus Vinícius e Elisa Queiroz
Som: Constantino Buteri
Montagem: Marcelo Pedrazzi
Edição de Som: Fernando Morais e Gian Carlo Di Tommaso
Seleção oficial dos festivais de cinema realizados em:
2004 – Vitória
2005 – São Luis, Varginha, Festival Internacional de Curtas de Belo Horizonte
2006 – Cine Esquema Novo (Porto Alegre), FBCU (Niterói, “Mostra Ex-Alunos”).

2 respostas Até agora ↓
Minha produção audiovisual « disconnect the dots // Sexta-Feira, Julho 25, 2008 às 1:50 pm |
[...] pour elise [...]
Erly Vieira Jr. « Bandejão 104.7 // Segunda-feira, Maio 11, 2009 às 11:40 pm |
[...] os curta-metragens Macabéia (16 mm, 2000, co-dirigido por Virgínia Jorge e Lizandro Nunes), Pour Elise (35 mm, 2004), Saudosa (35 mm, 2005, co-escrito e co-dirigido por Fabrício [...]