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saudosa

Saudosa foi escrito e dirigido juntamente com Fabrício Coradello, e brinca com as fronteiras entre documentário e ficção. Realizado com recursos da Lei Rubem Braga e lançado em 2005, ele foi rodado em apenas 4 dias, na cidade de Muniz Freire, quase na divisa com Minas Gerais.

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Saudosa é, a princípio, um pseudo-documentário sobre uma cozinheira de escola rural, autora de poemas e trovas que encantavam uma cidade de interior ao serem recitados diariamente na rádio comunitária. No decorrer da investigação dos “documentaristas”, descobre-se que Saudosa mantinha mais que uma simples amizade com um garoto de 13 anos, mesmo com a oposição acirrada da família do garoto.

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Podemos dividir Saudosa em três narrativas, que se intercalam: o “pseudo-documentário” sobre Saudosa, com depoimentos fictícios de supostos personagens da trama; a reconstituição da suposta história de amor entre Saudosa e o Menino, assumidamente ficcional; e trechos de depoimentos e situações que documentam o processo de realização do filme, constituindo assim seqüências de um “documentário de verdade”.

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O elenco é totalmente composto por não-atores, quase todos habitantes do município de Muniz Freire (à exceção da protagonista). Saudosa é vivida por Beth Santina, também estreante em cinema e residente em Vitória. O Menino é interpretado por Alexandre Almança, residente em Muniz Freire e selecionado após uma exaustiva rodada de testes entre adolescentes do município. A mãe do menino é interpretada por Edinê Pereira Chaves de Andrade, também de Muniz Freire, completando o núcleo de personagens totalmente ficcionais. O restante do elenco é composto por moradores da cidade, interpretando seus próprios papéis.
A metodologia utilizada para os depoimentos incluiu muito de improvisação, de modo a dar a impressão de que as falas seriam as mais realistas possíveis. Antes de gravarem, os não-atores recebiam uma breve explicação do assunto sobre o qual teriam que improvisar, e em seguida ligava-se a câmera, para que o depoimento fosse captado com o máximo de espontaneidade possível. Na edição, ainda para preservar essa espontaneidade, foram escolhidos trechos do primeiro ou segundo take de cada personagem, uma vez que, à medida que eram gravadas novas tomadas, os depoimentos corriam o risco de se tornarem falas decoradas, automáticas, fugindo da proposta do projeto.

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Por conta disso, apesar de Saudosa possuir um roteiro prévio, apenas as falas de Saudosa e do Menino foram gravadas seguindo quase que fielmente o roteiro. Esse grau de improvisação permitiu que diversas cenas surgissem durante as gravações, em especial as que mostram a interação entre os diretores e os não-atores, de modo que o filme possui muito material não-ficcional, como a seqüência em que André, 10 anos de idade, fala sobre suas experiências anteriores com teatro na escola, ou ainda a cena em que Fabrício propõe uma fala a uma personagem, que a repete pra câmera em seguida.

Os poemas atribuídos a Saudosa foram escritos por Fabrício Coradello e entregues a alguns habitantes da cidade para que decorassem e recitassem, de modo a pontuar alguns momentos do filme.

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O tempo inteiro buscamos nos apropriar da realidade de Muniz Freire para inserir a ficção de Saudosa, mesmo quando essa “realidade” soasse mais ficcional que a própria ficção. Um exemplo bastante marcante foi a rádio da Tonha, que realmente existiu: tratava-se de uma emissora “pirata”, comandada por uma transformista local, e que era bastante ouvida pela população. Para alguém fazer sucesso na cidade, tinha que passar pela rádio da Tonha primeiro. E com Saudosa não seria diferente…

A questão é que, quando fomos rodar o curta, Antônio, por motivos pessoais, já tinha deixado de ser Tonha há muito tempo, e a rádio já não mais existia. Por conta disso, tivemos que convencê-lo a reviver a Tonha uma vez mais, especialmente para a realização do curta. Dessa forma, ele aparece como Tonha nos flashbacks (em fotografias) e como Antônio no depoimento ocorrido no presente, em que ele rememora a passagem de Saudosa por sua emissora.

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Saudosa foi rodado em Mini-DV e lançado nos formatos DVD e 35 mm, e conta ainda com fotos retiradas do acervo pessoal dos protagonistas, incrementando assim o tom de indefinição entre realidade e ficção presente durante todo o documentário. Foram escolhidas diversas locações na cidade de Muniz Freire e em sua região rural, em especial o Cemitério do Amorim.
A direção de fotografia é de Ursula Dart, e o som direto ficou a cargo de Alessandra Toledo. A cenografia, utilizada nas cenas ficcionais, ficou a cargo dos artistas Julio Schmidt, Herbert Pablo e Maruzza Valdetaro. A animação de abertura, feita por Herbert Pablo, é baseada num bordado da artista plástica Tatiana Sobreira (cujas obras eu voltaria a utilizar no meu trabalho seguinte, Grinalda).

O filme contou com uma equipe reduzidíssima, principalmente na captação dos depoimentos, com um número de técnicos bastante próximo ao de uma equipe de documentário, de modo que pudéssemos obter um resultado bem próximo da linguagem de documentário. Isso também se reflete no uso de luz natural em boa parte das cenas, e na opção pela gravação de imagens em Mini DV.

O curta teve uma boa carreira em festivais de cinema e vídeo. Uma coisa curiosa é que, apesar de dirigido por dois homens, Saudosa conseguiu a proeza de ser selecionado para um festival de curtas de temática feminina (o Tudo Sobre Mulheres, realizado na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso), sendo que a maioria desses festivais restringe-se a filmes dirigidos por mulheres. Nesse festival, recebemos o prêmio de Melhor Ficção.

Confira a estória de Saudosa no Porta Curtas.

Um artigo bem interessante sobre Saudosa, de autoria de João Barreto, pode ser encontrado neste link.

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SAUDOSA

(Ficção, 35 mm, 16 min)
Vitória/ Muniz Freire, 2005
Sinopse: Nem tudo em Saudosa é ficção.
Elenco: Beth Santina, Alexandre Almança, Edinê Pereira Chaves.

Roteiro e direção: Erly Vieira Jr e Fabrício Coradello

Direção de Fotografia: Ursula Dart

Som direto: Alessandra Toledo

Direção de arte: Herbert Pablo, Julio Schmidt e Maruzza Valdetaro

Produção executiva: Fabrício Coradello

Produção de set: Fabrício Coradello e Emilson Guizzardi

Assistência de produção: Cássio Loredo

Edição de imagens: Lizandro Nunes

Edição de som e trilha sonora: Cristiano Botafogo e Maurício Harbert

Still: Emilson Guizzardi e Ursula Dart

Prêmios:

Melhor Ficção no II Tudo Sobre Mulheres (Mato Grosso, 2006)

Seleção oficial dos festivais de cinema realizados em:
2005 – Vitória (ES)
2006 – Corta Curtas (SP), São Luís (MA), Florianópolis (SC), Tudo sobre Mulheres (MT), MoVA Caparaó (ES), Teresina (PI) e IX Festival de Cine Gay y Lésbico (Extremadura, Espanha)
2007 – Aracaju (SE), Cine Esquema Novo (Porto Alegre), Curitiba (PR), FBCU (Niterói, Sessões Especiais), I ForRainbow (Fortaleza, CE), Mostra “A Vida é Curta”(ES).

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