Apresentação

Este espaço é uma tentativa de reunir boa parte da minha produção cultural, em suas principais vertentes:
• artigos acadêmicos, principalmente na área de audiovisual;
• textos produzidos para sites e colunas, nas áreas de literatura, audiovisual, artes visuais e afins;
• produção literária: contos, crônicas, poemas e poemas visuais;
• links para obras audiovisuais;
• registros fotográficos e videográficos de eventos e ações culturais das quais eu tenha participado;
• resenhas, matérias e entrevistas acerca de trabalhos meus.
A intenção, contudo, vai mais além de fazer daqui uma espécie de “portfolio organizado”. A idéia é de disponibilizar material para que os visitantes possam comentar, discutir, discordar… levantar questões as mais diversas sobre cada ponto de vista presente nesses trabalhos. Muito mais um ponto de partida para entusiasmadas discussões do que uma arrumação de gaveta do criado-mudo, num esquecido cômodo qualquer da memória.

Minha produção audiovisual

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Macabéia foi o meu primeiro trabalho como roteirista e diretor. Vencedor do I Concurso de Roteiros (V Vitória Cine Vìdeo, 1998), o filme (que foi co-dirigido por Lizandro Nunes e Virgínia Jorge) ficou pronto em 2000 e teve uma carreira muito bem sucedida no circuito nacional de festivais, faturando seis prêmios, entre eles Melhor Curta, Melhor Roteiro e Melhor Atriz na categoria 16 mm do Festival de Gramado (2001).

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Pour Elise foi o segundo filme, também realizado com recursos da Lei Rubem Braga, rodado em 2003 e lançado em 2004. Teve uma carreira bem mais modesta que o seu antecessor, mas é o primeiro trabalho em que eu exploro a idéia de um meta-cinema.

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Saudosa, escrito e dirigido juntamente com Fabrício Coradello, é um pseudo-documentário que, no fundo, não quer deixar muito claro onde termina o real e começa a ficção, e vice-versa. Realizado com recursos da Lei Rubem Braga e lançado em 2005, ele foi rodado em apenas 4 dias, na cidade de Muniz Freire, quase na divisa com Minas Gerais, e o elenco era composto totalmente por “não-atores”. Um artigo bem interessante sobre o curta, escrito pelo Prof. João Barreto, encontra-se neste link.

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Grinalda foi realizado como uma espécie de “filme de câmara”: apenas eu atrás das câmeras e a atriz Letícia Braga interpretando. Em lugar de um roteiro convencional, eu dava situações para a atriz que lhe serviam de pontos de partida para uma série de improvisações acerca dos relacionamentos afetivos. O uso insistente do plano fechado, com a personagem dirigindo o olhar diretamente para a lente da câmera, e o tom surrealista dos depoimentos, extremamente confessionais, buscou dialogar com a estética dos programas sensacionalistas de televisão. A edição buscou ao máximo manter o caráter de improviso da encenação: gaguejadas, lapsos, tempos mortos, tudo isso foi mantido de modo que o espectador pudesse presenciar, sempre que possível o momento em que o texto se constrói. O vídeo está disponível no YouTube.

Nos dias 20 e 21 de março de 2007, realizou-se a I Mostra Curta Grav, e no segundo dia da mostra foi exibida uma retrospectiva dos meus quatro curtas (Macabéia, Pour Elise, Saudosa e Grinalda), seguida de um debate com os membros do Grav, projeto de extensão do Departamento de Comunicação Social da Ufes dedicado ao estudo e prática da crítica cinematográfica (sob orientação do Prof. Dr. Alexandre Curtiss).

No site do evento, há uma entrevista comigo e um artigo crítico bem interessante do Rodrigo de Oliveira (Contracampo), que analisa as conexões entre os quatro curtas. O texto do Rodrigo, que foi publicado  no primeiro número da revista Milímetros, editada pela ABD&C-ES em junho de 2008, pode ser lido também aqui.

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O dvd Algumas Estórias reúne os quatro curtas ficcionais exibidos durante a I Mostra Curta Grav. Trata-se de um projeto realizado com recursos da Lei Chico Prego, da Prefeitura Municipal da Serra, lançado em julho de 2008. Os quatro curtas estão disponíveis para streaming no site Porta Curtas, neste link.

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twilight # 2

Twilight #1 e #2 (disponíveis para streaming no YouTube) foram produzidos para serem exibidos no Festival Dispositivo, realizado pelo Cineclube Falcatrua entre os dias 17/11 e 30/12 de 2006, no Paço das Artes, em São Paulo. O festival (cujas imagens podem ser vistas aqui) consistia numa mostra de vídeos rodados em um único plano-seqüência. Escolhi, então, dois planos de Pour Elise, reeditei o áudio, utilizando o tema das caixinhas de música presente no curta original, brinquei com a velocidade da imagem e o resultado são dois vídeos, sem cortes de imagem, com duração de um minuto cada.

O mais recente dos meus curtas é Eu que nem sei francês, realizado em 2008, novamente com Letícia Braga. O vídeo recebeu o Prêmio Reconstrução, como melhor curta da IV Mostra de Produção Independente (ABD&C-ES), dividindo a premiação com Fracasso, de Alberto Labuto. Espécie de “lado b”do Grinalda, ele pode ser assistido no YouTube.

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OUTRAS ATIVIDADES AUDIOVISUAIS

Durante algum tempo, trabalhei em filmes de amigos, exercendo algumas funções técnicas. São eles, do mais recente ao mais antigo:

  • JOÃO (curta-metragem, 35 mm), de Carlos Augusto de Oliveira, em finalização (rodado em 2006). (Direção de Arte)
  • VITÓRIA DE DARLEY (curta-metragem, 35 mm, 2006), de Renato Rosati. (Direção de Arte)
  • MANOELA (curta-metragem, 35 mm), de Fabrício Coradello. Vitória, 2002. (Assistente de direção)
  • BASEADO EM ESTÓRIAS REAIS (curta-metragem, 35 mm), de Gustavo Moraes. Vitória, 2002. (Direção de Arte). Por esse filme, eu e a produtora de arte Rosana Paste recebemos o prêmio Best Production Designer, no Columbia University Film Festival (Nova Iorque, 2003).
  • ESCOLHAS (curta-metragem, 16 mm), de Ana Murta. Vitória, 2003. (Assistente de Arte) Obs: o filme foi rodado em 2001, mas só ficou pronto em 2003.
  • DE AMOR E BACTÉRIAS (Super-8/Betacam). Direção de Virgínia Jorge. Vitória, 1999. (Direção de Arte)

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OFICINAS DE VÍDEO

Desde 2002, ministro oficinas de vídeo para adolescentes em diversos projetos sociais na Grande Vitória. Mais detalhes aqui.

Resenha de Rodrigo de Oliveira sobre meus filmes

Erly Vieira Jr.: O cinema na fronteira
Por Rodrigo de Oliveira
Diante da filmografia de Erly Vieira Jr., não parece difícil perceber sobre o que cada trabalho quer extrair daquilo que encena e propõe. Há em toda a obra um desejo aberto pelo processo de fabricação do cinema, filmes que são making of de si mesmos; uma disposição em construir os dramas a partir do contato íntimo com a natureza dos personagens centrais (todos eles femininos), e assim se deixar contaminar por tudo aquilo que encante ou desafie estas pessoas, tornar os sentimentos de um protagonista também os sentimentos do filme que se faz sobre ele; trabalhar sempre num registro entre a ironia e a ilusão, nunca propriamente naturalista. Mas se podemos saber como os curtas de Vieira Jr. se apresentam aos nossos olhos, nunca temos certeza total do lugar em que se apóiam. Talvez porque Macabéia, Pour Elise, Saudosa e Grinalda não sejam narrativas de instalação, mas filmes que respiram a oportunidade de não ter um território próprio e definitivo. Estamos tratando de um cinema que vive limites, que nasce na intersecção de vários campos artísticos. Seu lugar não é na ficção ou na realidade, no drama ou na comédia, no presente ou no passado, mas exatamente nas fronteiras traçadas entre um e outro.
Nos dois primeiros filmes essa idéia de fronteira é tomada como tema, e veremos em Macabéia (1999) e Pour Elise (2004) a materialização desses limites nas protagonistas. Marluce, a do primeiro, nasce do contato entre duas instâncias de autoria. De um lado temos Clarice Lispector, e do outro três jovens diretores de cinema (além de Vieira Jr., também Lizandro Nunes e Virgínia Jorge) que se apropriam do livro não só enquanto o testemunho textual de uma trajetória de vida, mas como a possibilidade de enxergar ali dentro outros caminhos, às vezes até opostos aos da obra original, mas de alguma forma já contidos nela. A via paralela à literatura é o mergulho naquilo que há de mais substancialmente cinematográfico, e o destino de Macabéia, travestida de Marluce, parece por um momento ser o mesmo no livro e no filme: é o que nos faz supor a conversa amistosa entre a protagonista e seu namorado, final reconciliatório interrompido por um atropelamento. Mas não é Marluce ali deitada no chão, sangrando pela boca, como um dia acontecera com Macabéia, e o uso do suspense, da tragédia que apenas ouvimos, mas já supomos ser real, serve mesmo para ratificar a decisão da moça em abandonar aquela vida de infortúnios. Marluce também esteve o tempo inteiro numa zona limítrofe, entre a descrença e a certeza de um futuro. Sua hora da estrela, no entanto, já tinha sido alterada, por sua própria vontade. Numa simpatia de nós na fita do Senhor do Bonfim esteve, desde o começo, a discussão sobre as fronteiras da fé.

Pour Elise vai além. Tendo a fé sido absorvida enquanto uma possibilidade real de transformação dos destinos (Macabéia morta x viva), agora não só o futuro será elemento ativo de construção das trajetórias destes personagens. Temos uma tia num asilo e sua sobrinha, restabelecimento de um contato geracional perdido. Entre as quinquilharias acumuladas pela velha e as investidas da sobrinha por este universo íntimo-histórico do qual nunca tomou parte, seremos colocados no limite entre a memória e sua atualização, e há, nos passeios de barco que as duas fazem pelo tempo, menos um delírio de fundo saudosista que uma verdadeira apresentação a um novo mundo, tão real e palpável quanto as caixinhas de música ao longo do filme. A tia leva a sobrinha ao passado; morre, e assim permite que a menina assuma seu lugar, mas não apenas enquanto figura borrada numa fotografia antiga. Elisa encerra em si a memória, a atualidade e a projeção de um futuro (o relacionamento perdido com o rapaz de cachecol vermelho é finalmente recuperado), e posa como guardiã ativa destas fronteiras do tempo.

E sendo exatamente a fé e o tempo os mais fundamentais elementos da experiência cinematográfica (diante de um filme é preciso, acima de tudo, crer em sua capacidade de encapsular a temporalidade da vida e reproduzi-la num negativo), no terceiro trabalho do diretor já não teremos mais um desdobramento meramente temático: Saudosa é a própria fronteira, uma espécie de reportagem do momento em que dois autores (o filme é co-dirigido por Fabrício Coradello) se chocam com a vida, e desse contato direto, da explosão surgida a partir dele, nem ficção nem documentário, mas o próprio cinema, sem disfarces, paira soberano, ele mesmo de natureza puramente fronteiriça – mistura de todas as artes, mas ao mesmo tempo arte única entre elas. Há um deslumbre incontido com a oportunidade de trafegar pela realidade e pela invenção, estabelecer uma falsa diferenciação entre as duas (um depoimento “real” do suposto documentário sobre a poetisa Saudosa sempre é precedido pelas instruções que os diretores dão aos personagens da vida real sobre o que devem “testemunhar”) para, no fundo, defender sua hibridização, atestar que por dentro delas corre um mesmo sangue, algo que poderíamos chamar de “verdade”, não como valor absoluto, mas como antídoto à idéia de uma “mentira”. Saudosa, a personagem, é tão verdadeira quanto a disposição dos diretores em inventá-la. Saudosa , o filme, tem nas veias o Cinema com C maiúsculo, essa verdade a 24 quadros por segundo.

Grinalda é a saída mais corajosa de uma cinematografia que chegara, ao final do terceiro filme, à própria natureza e materialidade do discurso artístico em que se inscrevia. Aqui várias das noções espalhadas nos trabalhos anteriores são radicalizadas. Isto só é possível porque a instância autoral deixa de ser auto-reflexiva (lembremos da cena de Macabéia em que Marluce se arruma para o reencontro com o namorado, uma colagem de momentos em que a atriz ri, olha para a câmera, brinca com a equipe do filme, ou ainda dos três velhinhos que são os verdadeiros fabuladores da trama de Pour Elise, e que na cena final recebem a visita de um quarto, o próprio Erly Vieira Jr., e também de toda a construção de Saudosa, onde a figura dos diretores merece o mesmo registro que as ficções que ali se estão apresentando). Grinalda não é mais o estudo sobre os limites da representação, como haviam sido os outros filmes. As fronteiras parecem ter sido suficientemente desbravadas, e aqui Erly Vieira Jr., pela primeira vez, admite um território, se instala num lugar que é o do próprio cinema e de suas possibilidades. O que Grinalda parece nos dizer é que qualquer filme é sempre um documentário sobre a ocorrência da ficção no mundo: estamos diante de uma grande atriz, Letícia Braga, num exercício livre de improviso, e cabe à câmera não mais que testemunhar esta pessoa da vida real criando, minuto a minuto, novos personagens da vida imaginária, e cabe ao diretor não mais que eventualmente estimular esta invenção através de artifícios claramente definidos (uma visita a um cemitério, saquinhos de chá com fotografias). Chegamos a uma espécie de pedra fundamental do cinema contemporâneo, que precisou de todo o trabalho dos cinemas anteriores na investigação dos limites entre vida e arte para, finalmente, poder se estabelecer, anos 2000 batendo à porta, como o espaço privilegiado para a implosão desta distância. “É tudo uma coisa só”, parece nos dizer o trabalho de Erly Vieira Jr. E assim, sem diferenças, tudo fica muito mais divertido.

Percurso Literário

PRIMÓRDIOS

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O início de tudo foi com a oficina literária Poiesis, ministrada por Waldo Motta (na época, Valdo Motta) em 1995, na FAFI (Vitória/ES). Ao final da oficina, formou-se um grupo com alguns dos participantes, o Grupo Poiesis, que manteve suas atividades (criação literária, discussão de textos e recitais de poesia) até 1997. Nesse mesmo ano, a Prefeitura Municipal de Vitória publicou a coletânea Poiesis, da qual participei com o poema “Ponto de Equilíbrio”. Entre 1995 e 1999, tive alguns poemas publicados em revistas literárias, zines e antologias.

Após o Poiesis, três dos membros (eu, Renato Fraga e Fábia Salles) juntaram-se a outros poetas capixabas (Pablo Cruces e Douglas Salomão) para a realização de saraus e recitais de poesia em diversos espaços de Vitória. Desse período, se destacam os recitais produzidos por Pablo Cruces e Letícia Braga na Oficina de Artes de Vitória (1999), as intervenções que fizemos nos palcos do Festival Dia D (2002, envolvendo música e cultura capixaba), o recital de lançamento do livro Desterro, de Fábia Salles (2002) e o projeto Tocando Palavra, realizado semanalmente no Restaurante Ilha do Guto, no centro de Vitória, durante o segundo semestre de 2002.

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Também é desse período o encontro Poéugenesia, produzido por mim e pelo Pablo Cruces, em 2000, no Teatro da Ufes, envolvendo workshops literários, mesa-redonda, exposição de poesia visual na Galeria de Arte e Pesquisa da Ufes (com curadoria do Orlando Lopes) e um recital de poesia e música no Teatro Universitário, envolvendo os poetas Viviane Mosé, Renato Fraga, Douglas Salomão, Pablo Cruces, Fábia Salles, Erly Vieira Jr, Alex Pandini, Alex Bayer, Julio Tigre, além de um espetáculo de dança do Paulo Fernandes e do concerto de violões do (então) duo Fábrica.

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Encerra essa fase a produção do Ruído Poético, recital realizado em janeiro de 2003. O Ruído Poético foi uma das ações do Projeto Ocupação Ruído, exposição coletiva realizada no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES), entre dezembro de 2002 e março de 2003, com curadoria de Neusa Mendes e do então diretor do MAES, Fabrício Coradello. A proposta do Ruído era a de pensar o Museu, instalado num antigo casarão no centro de Vitória, como um espaço de reflexão da experiência urbana e de suas poéticas. Entre seus desdobramentos incluíram-se, além da exposição de artes visuais e desse recital de poesia, uma noite dedicada ao grafite e hip hop, além do Ruído Corporal, que envolvia música e performances. Eu cuidei da produção do Ruído Poético, no qual seis escritores (Adiel Silva Santos, Douglas Salomão, Erly Vieira Jr, Fábia Salles, Pablo Cruces e Renato Fraga) recitavam seus textos em meio às obras expostas, com o violino de Ludvig Schneider costurando as intervenções.

Um poema meu está no catálogo do Projeto Ocupação Ruído:

feito agulha
que costura
perfurando
repetidamente,
este corpo sincopado
transborda os dias
pela boca
inconclusa.

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PRIMEIRAS PUBLICAÇÕES

capa “contraponto, reta, plano (poemas)”

Em 1999, lancei meu primeiro livro, Contraponto, Reta, Plano (Poemas), pela Ed. Flor&Cultura, com o incentivo da Lei Rubem Braga. Dos 38 poemas que compõem o livro, quatro estão numa página própria neste blog. O livro encontra-se praticamente esgotado, masalguns exemplares costumam aparecer em sebos por aí, como atesta  este link do site Estante Virtual.

A publicação desse livro rendeu resenhas favoráveis, e uma menção no Mapa da Literatura Brasileira no Espírito Santo, compilado por Reinaldo Santos Neves em agosto de 2000. Tal menção, diga-se de passagem, aproximou-me do trabalho e da pessoa de Reinaldo.

cine v�deo

Em 2002, fui convidado a participar da antologia Escritos de Vitória (Volume 22: Cine Vídeo). O conto que enviei foi “A margem vazia”, narrado em primeira pessoa, que pode ser lido nessa página.

Em 2004, foi a vez de um outro conto ser publicado no site Paralelos: “Sobre memória”.

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FAKETOWN

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Em junho de 2004, realizei a performance Faketown (detalhada na página à qual este link redireciona), que consistia na instauração de um universo ficcional (presente nas crônicas do blog homônimo, que eu mantinha na época) em meio à realidade concreta, durante uma única noite.

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COORDENAÇÃO DE HUMANIDADES

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Entre março de 2003 e agosto de 2005, ocupei o cargo de Coordenador de Humanidades da Secretaria de Estado de Cultura (Secult-ES). Nessa função, eu coordenava projetos nas áreas de literatura, incluindo aí oficinas literárias, publicações e reedições de livros, recitais de poesia, workshops, seminários, ciclos de debates com escritores, críticos e pesquisadores, entre outras atividades. A primeira ação foi um amplo Mapeamento Literário, que durou quase dois anos e buscou cadastrar os escritores capixabas para que pudéssemos inclui-los em futuras ações. Clicando na imagem acima, você visualiza com detalhes o cartaz que eu e Gabriel Menotti criamos para essa ação.

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O destaque da foto acima é a oficina literária ministrada no final de 2004 pela escritora Neusa Jordem, no município de Iúna, na região do Caparaó, dentro do projeto Oficina da Palavra, que promoveu a iniciação literária de diversos estudantes nos municípios do Espírito Santo.

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Uma das vertentes em que a Coordenação mais atuou no período foi a promoção de oficinas literárias entre detentos e com os menores infratores internos no Iases (Ex-Febem, ex-Iesbem, ex-Icaes). Pablo Cruces chegou a ministrar uma oficina com os detentos do IRS, que já no primeiro dia rendeu um poema coletivo, elaborado pelos participantes, e que terminava com o verso: “Liberdade – pássaro a conhecer”. Já com os adolescentes do Iases (menores em conflito temporário com a lei), foram três oficinas interligadas: a primeira, de papel artesanal, ministrada por Yvana Belchior, cujas fotos podem ser vistas neste link; a segunda, uma oficina literária ministrada por Renato Fraga, ilustrada pela foto acima (um painel escrito e pintado por um aluno, com um texto produzido durante a oficina); e, finalmente, uma oficina de vídeo, ministrada por Nardo Oliveira, que resultou num pequeno documentário sobre o trabalho dos menores infratores na padaria do próprio Iases.

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Outro projeto marcante desse período foi o Play, realizado no Museu de Arte do Espírito Santo entre outubro e dezembro de 2003. Uma produção conjunta entre a coordenação que eu exercia (Humanidades), a Coordenação de Música (na época com Jana Assis à frente, idealizadora do projeto) e a Coordenação de Artes Visuais ( Fabrício Coradello), Play era um contraponto à exposição Pausa, trazendo a poesia e a música eletrônica para o espaço do Museu. Na primeira edição, em outubro, trouxemos um recital poético com intervenção de música eletroacústica, envolvendo o poeta Douglas Salomão e o músico Cons (Constantino Buteri), além de um Live P.A. do Zémaria Redux (Xico Viola vs. Zee-la), que incluiu até uma música com sampler do cantor capixaba Aprígio Lyrio (falecido em 1983).

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A segunda edição contou com a apresentação do brasiliense Nêgo Moçambique e sua House Music, em meio à instalação The snow white – The queen is not dead, de Julio Schmidt, no térreo do MAES. Acompanhava uma projeção (no telão e nas roupas brancas da platéia)de live images realizada pelos VJs da Mirabólica, contendo videoartes elaboradas a partir de poemas de escritores capixabas.

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O projeto teve ainda uma terceira edição, ao ar livre, realizada em dezembro de 2003, na qual os cariocas do Apavoramento Sound System tocaram num palco armado em plena Rua do Rosário, no centro da cidade. A poesia ficou presente na improvisação de versos do freestyle do rapper J3 e do pessoal do projeto Grooves.

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COLUNA DE CRÍTICA LITERÁRIA

Entre outubro de 2005 e fevereiro de 2007, mantive uma coluna semanal no site Século Diário. Foram exatamente 58 textos, entre ocasionais resenhas de lançamentos e relançamentos literários (nacionais ou locais), entrevistas/debates com escritores, visões panorâmicas sobre a obra de determinados escritores, crônicas sobre o papel do leitor neste início de século, pequenos apontamentos sobre a vida literária capixaba, resgates de escritores locais de outras épocas, ou ainda apaixonadas defesas de livros que foram fundamentais para a minha formação de leitor/escritor. O arquivo desse material todo está no blog EstarSendo.TerSido. (cujo nome é inspirado num título de livro de Hilda Hilst), mais fácil de consultar que os labirínticos arquivos do Século Diário.

Alguns textos eu produzi para o site Overmundo, a partir de idéias que surgiram nos textos da coluna. Um comentário meu sobre o livro Kitty aos 22: Divertimento, de Reinaldo Santos Neves chegou a ser apresentado num seminário sobre literatura capixaba. Sobre a experiência de colunista e colaborador do Overmundo, eu comento detalhadamente neste link.

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PRODUÇÃO LITERÁRIA RECENTE
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O livro Instantâneo (2005) foi o resultado do Mapeamento Literário que realizamos quando eu estava no cargo de Coordenador de Humanidades da Secult-ES. Terminado o levantamento, procurei o Reinaldo Santos Neves e juntos organizamos uma coletânea com os nomes mais destacados dentre os escritores capixabas da geração 90 e 00 (que haviam despontado no cenário local ou nacional até meados de 2004) . Foram 38 participantes, com textos de poesia e prosa. Eu também participei com um conto, “Quase dezembro” (na verdade, uma versão revista e ampliada de “Sobre memória”.

Foi meu último projeto á frente da Coordenação e o único que posso considerar como autoral dentre as ações realizadas no cargo. Um release sobre o livro encontra-se aqui. O site Século Diário publicou o conteúdo do livro na época. Para acessá-lo, clique aqui. Para ler o prefácio escrito por Reinaldo Santos Neves, clique neste link.

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Em junho de 2006, sob pseudônimo, publiquei um pequeno texto em prosa no site Escritoras Suicidas (que só permite colaborações de escritoras, sejam elas mulheres “na vida real” ou homens sob pseudônimos femininos), que lança edições temáticas mensais. Atendendo a um convite de Mara Coradello, na época participante da editoria do site, a colaboração assinada por Deise Buchanan saiu na edição 8, sob o tema “Homem”:

I
Rio correndo lentamente. Gargalho, como se farfalhasse feito folhas caídas pelas margens.

Ele mente sempre que se levanta e eu bem sei disso. ainda assim, corremos lado a lado: eu ruidosa; ele silencioso, amarelírico. E eu que nunca minto, evito olhar em seus olhos, para não cegar.

II
Depois da chuva, quem se habilita a percorrer suas próprias planícies de algodão?

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-sse, meu trabalho mais recente, é um livro que reúne 14 contos em primeira pessoa (e um poema), produzidos entre 2002 e 2006. Selecionado pelo II Edital para Publicação de Obras Literárias Inéditas da Secult-ES (2006), o livro tem previsão de lançamento para abril de 2008, e seu conteúdo está totalmente licenciado em Creative Commons, sendo permitida sua cópia irrestrita (física ou digital), desde que creditada a autoria e que não seja alterado o texto original. A ilustração de capa é de David Caetano. Na página anexa, incluí quatro dos contos que compõem o livro.

Pra finalizar, aí vai o poema sem título que completa -sse:

lembranças recusam aviamentos:
deslimitadas, deslizam líquidas
pelo rejunte da tarde

por vezes apressadas,
produzem uma semana de intermináveis quartas-feiras,
nas quais evito desenhar com os dedos enfastiados rodamoinhos

ruidosas malcheirosas inconsentidas
movediças
sempre outras
excedentes, portanto sestrosas

aviar uma lembrança é recusar-lhe o garbo da própria rasura,
é impedir a concha de furtar a voz do mar

Cartografias: textos sobre artes visuais no ES

Publicada a partir de março de 2007 , no Século Diário, a série Cartografia Afetiva reúne textos sobre artes visuais no Espírito Santo, sempre revisando o percurso de alguns dos mais importantes artistas capixabas a partir de uma série de entrevistas. Vários desses artigos inclusive, foram postados no Overmundo.

O instante dos amantes: Cinema, corpo e tempo nas fronteiras transculturais do capitalismo flexível

Em 2008, inicio uma nova pesquisa (cujo título provisório é o mesmo deste post), desta vez sob a orientação do Prof. Dr. Denilson Lopes, dentro do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ, e que deverá ser concluída em 2011, com a defesa da respectiva tese de doutorado.

Resumindo em poucas linhas, eu poderia dizer que a idéia é discutir as formas através das quais a linguagem audiovisual traduz as experiências espaço-temporais híbridas vividas pelos habitantes de países ditos “emergentes”, em especial os das grandes metrópoles do sudeste asiático e da América Latina (Brasil, principalmente). Sabe-se que essas experiências são bastante diversas das vividas pelos cidadãos dos países supostamente “centrais” (e que viveriam a plenitude da “modernidade líquida” de Bauman), e é a partir daí, desses outros percursos de modernidade (a “modernity at large” de que nos fala Arjun Appadurai), que proponho pensar como tais reconfigurações espaço-temporais podem afetar a própria narrativa audiovisual nesse início de século, em especial no tocante ao corpo e à afetividade.

 Antes de tentar a seleção para o doutorado (que ocorreu no final de 2007), eu passei cerca de um ano e meio trabalhando no anteprojeto, levantando bibliografia, elaborando algumas hipóteses e questionamentos iniciais. O resultado dessa etapa, anterior ao próprio projeto, desdobrou-se em dois artigos teóricos, que pretendiam ser um breve mergulho inicial nessa temática.

O primeiro deles denomina-se “Algumas considerações sobre cinema e tempo nas periferias do capitalismo flexível”, e tenta exercitar tais questionamentos a partir da análise de filmes de Abbas Kiarostami, Hou Hsiao Hsien (Millennium Mambo) e Wong Kar-Wai (Amor à flor da pele). Ele foi publicado pela revista eletrônica Ciberlegenda (Ano 9, nº 19, outubro de 2007), mantida pelo PPGCII da UFF, e pode ser lido aqui.

O segundo artigo,“O instante dos amantes: cinema, tempo e corpo nas periferias do capitalismo flexível”, acrescenta as questões do corpo e da afetividade e, além de Hou Hsiao Hsien e Wong Kar-Wai, também analisa cenas de filmes do tailandês Apichatpong Weerasethakul (Mal dos trópicos e Eternamente sua). Esse trabalho foi apresentado o I Coneco (UFRJ, 2006) e teve publicação tanto na internet, através da revista eletrônica Pos.ECO (edição especial do I Coneco, novembro de 2006), quanto em suporte físico, na revista ECO-Pós ( vol. 9 n.1, p. 167-181, 2007). Para ler o artigo gratuitamente, no site da editora E-papers, basta clicar aqui. No mesmo link, você também pode adquirir a edição impressa da revista.

Recortes e rasuras no corpo: Sagrado e erotismo no Teorema de Pier Paolo Pasolini

Durante o mestrado na UFF (entre 2002 e 2004), eu desenvolvi uma pesquisa acerca das relações entre corpo, sagrado e erotismo no cinema do italiano Pier Paolo Pasolini, em especial no filme Teorema, realizado em 1968. Muito me interessava pensar como o cineasta fazia uso da linguagem cinematográfica construir uma do corpo como espaço transgressivo no qual experiências do sagrado e do erotismo pudessem se manifestar em sua plenitude. Esse trabalho culminou na dissertação intitulada Recortes e rasuras no corpo: Sagrado e erotismo no Teorema de Pier Paolo Pasolini, orientada pelo Prof. Dr. Fernando Fagundes Ribeiro, defendida em abril de 2004.

Num primeiro capítulo, busquei rediscutir as concepções pasolinianas de corpo, sagrado e erotismo, contrapondo-as ao pensamento de autores como Georges Bataille, Mircea Eliade, Louis Dumont e Marc Augé. Em seguida, dediquei dois capítulos para pensar os recortes corporais (espaciais e temporais) com base na utilização de elementos da linguagem cinematográfica (em especial a montagem, o primeiro plano e a noção de “subjetiva indireta livre”) na elaboração de uma sintaxe imagética própria do “cinema de poesia” proposta por Pasolini, que pudesse ressignificar o corpo como esse território transgressivo do sagrado e do erótico, como havia citado acima.

A íntegra da dissertação está disponível na página do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Imagem e Informação da UFF, neste link . Uma síntese da dissertação, com vinte páginas, está disponível no Overmundo.

Um artigo mais curto, com o mesmo título, foi apresentado no XXVI Congresso da Intercom, em Belo Horizonte (2003), sintetizando as idéias da dissertação. Esse texto está arquivado digitalmente no site Reposcom. Para lê-lo, basta clicar aqui.

Há também uma outra versão do artigo, apresentada no evento Cinemaes: Debate, organizado pela Secult-ES em novembro de 2003, no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) e que consistiu na exibição do filme seguida de uma mesa-redonda da qual participamos eu e o capixaba João Barreto.